segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Vocês. Feliz 2014

Escrevo-vos às três da manhã do último dia de 2013, numa das minhas noites de insónias. Já revi o ano de 2013 da frente para trás e de trás para a frente. Já ponderei, analisei, fiz aquelas listas de desejos e todas essas coisas estúpidas. E depois deu-me uma vontade enorme de vir ao blogue porque o melhor de 2013 também foram vocês. Sim, vocês, aqueles que eu conheço e aqueles que não conheço. Quando me sinto sozinha, e às vezes isso acontece, venho para aqui escrever porque sei que alguém do outro lado me vai ler, desde que saiba ler português está claro. Gostava de escrever em inglês para chegar a mais pessoas, da mesma forma que gostava de escrever hindi. Mas não sendo possível, vamos ser só nós, durante algum tempo. Vocês foram o melhor do meu mundo em 2013 e, verdade seja dita, alguns dos piores comentários de 2013 também vieram daqui. Não posso ajudar ninguém realmente nem posso mudar o Mundo, o que não me impede de tentar. Mas posso escrever e saber que alguém vai  perceber o que eu escrevo  ou odiar cada palavra. Não faz mal. Também vou  a outros blogues fazer o mesmo: partilhar textos e desprezar textos. Estranho, se me dissessem em 2002 que ia ter um blogue e até gostar de escrever, diria que estavam doidos, que não me conheciam. Afinal, e esta é a verdade, nós nunca sabemos o que esperar de nós próprios quanto mais dos outros, do Mundo. E não vou estar aqui com discurso de miss a dizer que tudo isto vai melhorar porque não vai ou que no ano seguinte nos vai trazer 365 oportunidades, porque poderá não trazer. Mas estamos vivos e na maioria das vezes estamos on-line e isso basta-me.
Obrigado por me lerem, obrigado por estarem aí. Juntos, não estamos sozinhos.
Um Feliz 2014!

Marisa 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Os melhores filmes de 2013, by Cineuphoria

Isto é serviço público gratuito e a primeira colaboração deste blogue. Perguntei ao meu amigo Paulo Peralta quais os melhores filmes de 2013. E de uma pergunta simples, revela-se o trabalho de um profissional. Se querem saber as novidades cinéfilas, têm mesmo de seguir este blogue http://cineuphoria09.blogspot.pt/, que muitos já conhecem com certeza. E  para o Paulo, os melhores filmes de 2013  são ( apresentado com os comentários do próprio):
1- Tal pai, tal filho.
http://cinecartaz.publico.pt/Filme/327455_tal-pai-tal-filho
2-O passado.
http://cinecartaz.publico.pt/Filme/327453_o-passado
3- Temporário 12 ( este é mesmo obrigatório)
http://cinecartaz.publico.pt/Filme/327459_temporario-12
4- A vida secreta de walter mitty
http://cinecartaz.publico.pt/Filme/327458_a-vida-secreta-de-walter-mitty
5- A propósito de llewyn davis ( Simplesmente um dos melhores filmes do ano)
http://cinecartaz.publico.pt/Filme/327066_a-proposito-de-llewyn-davis
6- Capitão Philips (  Hanks como já não se via há MUITOOOOOOOOOOOOOOOO tempo)
http://cinecartaz.publico.pt/Film:e/325376_capitao-phillips
7-  Gravidade (Para quem tinha alguma dúvida de que a Sandra Bullock é uma excelente actriz)
http://cinecartaz.publico.pt/Filme/325304_gravidade
8- A vida de adele capítulos 1e 2 (Apesar de excessivamente gráfico)
http://cinecartaz.publico.pt/Filme/326709_a-vida-de-adele-capitulos-1-e-2
9- O desconhecido do lago (Apesar de excessivamente gráfico - parte 2)
http://www.imdb.com/title/tt2852458/?ref_=nv_sr_1
10- 12 anos escravo (Não estreia este ano mas sim já no próximo dia 2... e é assumidamente um dos melhores filmes de 2014)
http://www.imdb.com/title/tt2024544/?ref_=rvi_tt


Obrigado Paulo. E vocês, concordam com esta lista?

O cinema é o modo divino de contar a vida.
Fellini , Federico

sábado, 28 de dezembro de 2013

Mulheres que não choram

Lembro-me perfeitamente. Estava a dar um filme romântico, mas daqueles maus, em que a história é uma pastelada e a música perfeita para suicídio assistido,  e eu gozei com a história, com a música, com os planos curtos e longos, com o blarghh que o filme era. E o rapazito da altura disse-me " tu não choras nos filmes, não és como as outras mulheres". Parei. Não pela ofensa de não chorar, não pela ofensa de não ser como as outras mulheres, mas pela presunção de que não tenho sensibilidade porque não choro nos filmes. Meus queridos leitores, vocês sabem que eu não digo nem escrevo palavrões, mas apetece-me até hoje mandar a" menina "a passear num sítio feio e cheio de maus cheiros corporais. Ou obrigá-lo a ver o Titanic, O Nosso Amor de Ontem e um musical da Bárbara Streisand a ver se as lágrimas de emoção saltam. Não? Pois a mim também não!
Não, eu não choro por banalidades. Choro quando as coisas são graves: quando perco alguém de quem gosto, quando dizem mal dos meus amigos, quando me maltratam. Mas em privado, sem tretas. E não uso o choro para conseguir coisas, como muitas colegas usam para se safarem ao trabalho ou causarem pena e atenção redobrada. Não, não uso o choro para nada disso e reprovo mulheres que fazem papelão de vítima para conseguirem coisas .Deixam mal todas as outras mulheres que usam métodos honestos para estar no trabalho, na vida, no cinema.
E, sobretudo, em pleno século XXI,  avaliarmos a sensibilidade feminina pelo choro e a macheza de homem pelo não uso de lágrimas, é a mesma coisa que usar galochas em plena praia de Copacana. 
Mulheres que não choram: unamo-nos contra a parvoíce vigente de que  as mulheres  são todas umas pétalas que choram com casais apaixonados ou separações lacrimoniosas que passam no pequeno ou grande ecrã. Use-se as lágrimas para onde elas são precisas: dores e desilusões. Ah, e isso de chorarem no casamento por emoção da ver a amiga casar é treta e vocês sabem: são apenas ciúmes remoídos por não ser o vosso dia.  

Lágrimas não são argumentos.
Assis, Machado.


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

2013, que raio de ano.

2013. Que raio de ano. Não sei se devo dizer bem ou mal deste ano, porque teve muita coisa boa mas também muita coisa má. Foi o ano em que terminei o mestrado, o ano que lancei o livro das crónicas deste blogue e o ano em que o meu pai foi operado , assim de repente. E foi o ano em que morreram familiares próximos e que amigos sofreram perdas muito dificeis. 2013 não foi um ano aborrecido, isso não foi. E se trouxe tantas coisas boas como más, as coisas boas  que trouxe foram em grande e as más em expoente máximo.Mas, e porque há sempre um mas, se eu refletir muito bem, o meu ano só pode ter uma frase, que não é minha mas da minha amiga Sara C. " este ano mostrou como a vida é frágil, tão frágil como uma ventania leve que apaga a vela". E se este ano me mostrou uma coisa, é esta e apenas esta: que nada tenho que me queixar.Porque enquanto estes três estiverem por cá,na minha companhia, está e estará tudo bem.

Da esq para a direita a minha irmã, o meu pai, a minha mãe e eu(de casaco branco).


Um grande beijinho e abraço para aqueles para quem este Natal é mais triste.

E para todos nós, um Feliz Natal!

domingo, 22 de dezembro de 2013

O trauma da emigração


De 1955 até ao 25 de Abril, saíram de Portugal cerca de 92000 mil pessoas por ano. Em 2013 emigraram 120 mil portugueses, um número assustador. Os portugueses saem porque não há trabalho e porque é impossível abrir uma empresa em Portugal: os impostos são altíssimos, as burocracias indecifráveis e qualquer empreendedor tem contar com salários, segurança social, IRC, seguros de trabalho, médicos do trabalho, mais as despesas do dia-a-dia. Se uma máquina avaria, os preços baixos praticados para concorrer com a China tornam impossível manter  as empresas abertas.E não se cria qualquer legislação onde  se proíbaa importação de artigos produzidos por escravos do capitalismo sem direitos civis. É o mercado livre dizem os capitalistas, é o comunismo amigo dizem os comunistas. E por isso  as empresas obrigadas, e bem, a cumprir direitos  mas sem protecção contra os produtos baratos, feitos por gente sem direitos, declaram falência e emigram juntos patrões e empregados, lado a lado. Os bancos não emprestam e requerem de volta rapidamente o dinheiro emprestado e juros abusivos. Entregam-se fábricas e escritórios que ficam ao abandono, sem produzir e sem criar valor. Os bancos não os conseguem vender e interrogo-me porquê estas expropriações que não levam a nada. O governo não contrata e não abre empregos, mas deixa que os Recibos Verdes se propagem e deixa que  empresas menos sérias ofereçam empregos sem remuneração, baseados nos objectivos. Se vender recebem, se não venderem azar para eles, não para as empresas.  Ou então fazem estágios profissionais em empresas viciadas em estágios profissionais. Os mais novos, aqueles que os mais velhos acusam de ter tudo e não se sujeitar a nada, emigram na procura de uma vida que não é melhor porque não há qualquer comparação: aqui não há vida, naqueles países para onde se vai ainda há. E neste país que não consegue empregar nem tratar bem os empregadores nem os empregados, emigramos todos porque não podemos ficar. Não há ninguém que regule e saiba governar este país? Não. Sobem-se impostos, destroem-se ainda mais empresas, cria-se mais desemprego. E a Alemanha vende BMW para a China e electrodomésticos caros para os países emergentes. E Portugal derruba as últimas indústrias e os últimos estaleiros. E nós pagamos dívidas dos bancos não contraídas por nós, mas com aquele sentimento de culpa "que vivemos acima das nossas oportunidades “porque os nossos avós eram analfabetos e nós temos estudos e casa e carro e viagens. Uma verdadeira provocação às famílias de bem que não aguentam que  outros tenham  o que  eles sempre tiveram sempre. Direitos naturais, ouvi dizer, ou primos em Bancos e dinheiro mal vigiado. E a imprensa faz-nos sentir culpados ou miseráveis e defendemos que temos todos de pagar a crise, trabalhando mais em empregos que não existem ou emigrando. 120 mil saíram. O que é preciso para que estas políticas de austeridade  saiam de vez do nosso horizonte? 

Quando a culpa é de todos, a culpa não é de ninguém.
Concepción Arenal.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O dia em que descobri que não queria ser Santa...

Tinha sete anos e fui com os meus avós a Fátima. O meu avó era ateu mas negociava mármores e tinha ido a Fátima comprar Creme de Mós, em blocos. Findo o negócio fomos os três, o meu avô, a minha avó e eu, até ao Santuário de Fátima. Em 1987 só existia a pequena igreja  onde estavam enterrados os dois pastorinhos, Jacinta e Francisco.Jacinta morreu com sete anos, idade que eu tinha na altura. Perguntei à minha avó porque é que os meninos tinham morrido. A minha avó, tentando ser o mais pedagógica possivel, explicou-me que tinham falecido porque Deus os queria junto de si, porque eram muito bons meninos. E então pensei, na minha ingenuidade sempre certeira " é melhor começar a portar-me mal".

As meninas boas vão para o céu, as más para todo o lado.
Mae West


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Da Sónia

Recebido hoje:

"E porque cada um tem o seu mundo, hoje recebi a minha carteira Beautiful World personalizada. É gira, não é? Não se deixem enganar pelo ar certinho da menina e entrem neste blog, vão adorar, garanto-vos. http://marisasbworld.blogspot.pt/"

Obrigado pelo miminho minha linda Sónia!
Beijinhos
Marisa

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Quantos amigos temos?

Temos por hábito dizer que amigos temos poucos, mas bons. E que tudo o resto são conhecidos ou pessoas com quem apenas nos damos. A amizade é uma coisa muito difícil de manter, muito mais difícil de que uma relação amorosa. Há quem tenha amigos até ter namorado/a e depois só tem amigos casais, geralmente muito insonsos ou, como eu gosto de lhes chamar, “os casais cheios de frio”, porque dizem sempre que estão com frio ou sono para largarem os amigos e voltarem para casa. Comigo amigos que desaparecem com namoros são amigos que desparecem para sempre. Aceito a fase da paixão, aceito a fase do estar a dois, mas depois de algum tempo ou recebo uma mensagem e telefonema ou Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye. E sobretudo odeio quando esses amigos que não nos ligam há dois , três anos ,e de repente se lembram de sair à noite, café, jantar, com o famoso “ então, vamos sair?” como se a nossa vida não tivesse também mudado e nela não tivessem entrado outros ritmos, outras pessoas e também novos amigos. Gente que pára no tempo e depois regressa porque agora já precisa de nós, é como ver um filme dos anos 80 em que a história é má e a permanente é péssima. E  se eu  me recuso a fazer permanente e usar enchumaços, também me recuso a ser lembrada quando é preciso. Isto é o bom de se ter 33 anos: aos 20 queremos agradar a todos, aos 30 já não estamos para isso.
Por isso concordo que temos poucos amigos, mas bons, que não é o mesmo que dizer que os amigos têm de ser feitos na escola  e depois não temos mais nenhuns. Isso é uma treta. Amigos entram em qualquer altura da nossa vida, porque mudar é bom e importante. Os amigos não se escolhem nem pela idade, nem pelo sexo, nem pela localização geográfica. Amigos escolhem-se pela cumplicidade, pelos segredos partilhados e mantidos em segredo. Amigos escolhem-se pelas convicções e pela honestidade. E amigos não nos condenam, mesmo que tenham vontade. Amigos, amigos são poucos ,mas bons. E entram na nossa vida com a intuito de ficar no nosso mundo e de nos  manterem no mundo deles mesmo que chova ou faça sol.
Porque  se amor em part-time não é amor, Amizade em part-time não é amizade.

"É mais vulgar ver um amor absoluto do que uma amizade perfeita."
La Bruyère , Jean de

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O meu livro disponível na BOOK IT, Campo de Ourique.


Esta foto foi tirada ontem na BOOK IT de Campo de Ourique(rua Ferreira Borges), durante a sessão de autógrafos do meu livro Marisa's Beautiful World, que reúne as melhores crónicas deste blogue e alguns inéditos. Como sabem, os novos autores têm muita dificuldade em arranjar espaço na prateleira. Se repararem cada vez que vamos a uma livraria temos acesso só aos consagrados ou aos autores mais populares. E é óbvio que, quando vamos comprar um presente, levamos um dos livros que estão disponíveis. Esta semana, o meu livro vai ter espaço de prateleira na BOOK IT de Campo de Ourique, estando disponível para qualquer pessoa que deseje e por um óptimo preço:9,90 euros. Passem por lá para visitar o livro. Beijinhos.




sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O Diabo veste PRADA, eu leio PRADA.



Escrevi uma história sobre a PRADA e a PRADA gostou. Gostou de que defendesse que é uma indústria que emprega milhões de pessoas e que o bom gosto é essencial para qualquer pessoa. Antes que me apontem os defeitos da moda, também sei que no Bangladesh existe exploração de crianças e mulheres, situação que devemos todos lutar contra. Eu gosto de moda, gosto que paguem salário dignos, gosto que nos façam mais bonitas/os. Logo, gosto de roupa, acessórios, sapatos, brincos, you name it and I Love it. Como não sou uma blogger de moda, mas que também fala de moda, recebo o Lookbook of Prada, onde numa edição de luxo se conta a história da PRADA. Eu confesso que estou muito feliz. E só mesmo para fazer inveja, coloco aqui as fotos. Se para o ano receber um vestido PRADA, ninguém me atura.






Aquilo que veste é a forma como se apresenta ao mundo, especialmente nos dias que correm, em que os contactos humanos são rápidos e fugazes. A moda é uma linguagem instantânea.

Miuccia Prada
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Portugal Agora

Estive durante esta tarde, acompanhada pelo "colega" cá de casa, a assistir ao evento Portugal Agora. Quando  o Fernando Alvim lançou a pergunta “ alguém tem mais ideias que queira partilhar”, não me ocorreu absolutamente nada. Nada. E no caminho, a debater as ideias ouvidas (os emails enviados ao vivo para os políticos; a questão do mérito, etc…) ocorreu-me finalmente uma ideia, mas devo contextualizar. Em 2009 fui em trabalho à Finlândia, país que veneremos porque é civilizado e do Norte. Nos sete dias que lá estive passou-me pela cabeça sobretudo o suicídio ou tornar-me alcoólica permanente. Até quando estavam bêbedos os finlandeses atravessavam nas passadeiras, não existia ruido, tudo funcionava, mas o tempo e a falta de criatividade mataram-me. Ora, o dia mais feliz foi o dia de ir embora, até que chego ao aeroporto e descubro que me enganei e enganei a minha irmã, e o nosso voo tinha sido na noite anterior. E o que é que fiz? Desatei a chorar ao balcão da companhia aérea, implorei para sair da Finlândia. Bem, deve ter sido tanta emoção para a senhora que nos deixou embarcar do género “ sai daqui, essas emoções não se enquadram nas regras”. Um português, bem-disposto e que gostou de assistir a tudo aquilo e que ia à Finlândia frequentemente, foi ter connosco e disse:” Portugal é fabuloso. Tem gente bonita, tem bons solos, tem tudo. O que é triste é que nos podemos ter tudo o que os Finlandeses têm ( educação, emprego, etc) mas eles nunca poderão ter o que nós temos”.  Caí em mim hoje! Caramba, a pergunta é mesmo essa: porque é que nós não temos o que os finlandeses têm?
Bem, as respostas podem ser longas mas o que o que aqueles tipos têm é: regras e simplicidade. Aqui é para as bicicletas, aqui para os carros, aqui para as pessoas. The end.
Ora Portugal precisa de apenas  ser simples e regrado, mas não demais, só em alguns coisas básicas e uteis. Por exemplo,  para a simplicidade, todos os contractos devem ser tão simples de entender, que até uma criança de 8 anos perceba. Tudo o que o puto não perceber deve ser proibido porque nós também não entenderemos. Esta é a minha ideia, a seguinte não é minha é do "colega" cá de casa.
Para as regras, se uma empresa der lucro, o gestor deve ter direito a essa parte do lucro. Se não der lucro, não pode receber mais que o salário base, que deve ser assim pequenino, ou até o mínimo.
Dois exemplos simples e regrados. E se juntarmos a isto a nossa criatividade, o nosso dinamismo, o nosso sol, e a nossa cerveja e vinho, então nós teremos tudo. Mas mesmo tudo!

Para ver outras ideias, siga este link:




segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Apresentação do livro, 15 de Dezembro.



Convido-vos, a todos, a assistirem à apresentção do livro Marisa's Beautiful World no dia 15 de Dezembro, pelas 16 horas, na Book IT da Ferreira Borges em Lisboa.O livro reúne as melhores crónicas do blogue e alguns inéditos. Conto com todos para nos conhecermos e conversarmos um bocadinho.Bjs. Marisa

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Winnie e Nelson Mandela


Sou uma romântica incorrigível, mesmo quando não devo. E adoro histórias de amor, principalmente se por detrás está a tragédia à espreita, que torna a vida mais próxima da ópera do que da comédia. Nelson e Winnie Mandela viveram uma história de amor intensa e inacreditável. Winnie está longe, mas muito longe mesmo de ser uma santa, ou uma mulher que se deva admirar. Mas é impossível negar a extraordinária vida desta mulher. Casou com Mandela em 1958, contra a vontade do pai. A família de Winnie era rica e possibilitou-lhe o acesso à educação, num país onde as casas de banho eram separadas por cores, mas isso toda a gente já sabe. A primeira assistente social negra a exercer em Joanesburgo viu o marido entrar na clandestinidade em 1961 e ser preso em 1962 até ser libertado em 1990. 28 anos longe da família, 27 anos preso. Portanto Winnie  só viu o marido   duas vezes por ano, durante 27 anos, porque os prisoneiros só tinham direito a meia hora de visita de seis em seis meses.  É óbvio que teve amantes, e mais dois filhos desses amantes. 27  anos é muito tempo, tempo demais e ninguém sabe o que o casal combinou. Quando Mandela saiu, Winnie estava lá, mas já não era a mesma e não podia ser. Acusada de fraude, de roubo e de assassinato, Winnie foi  e era culpada de tudo. Mandela teve de separar-se  da mulher que amava por uma causa maior, o seu país. Fez bem. Mas os laços não se cortaram. Foi Winnie que criticou o partido por mostrarem o ex-marido com ar debilitado. Foi Winnie que criticou as visitas constantes que debilitavam Mandela. Porque para o bem e para o mal, foi Winnie que esteve ao lado de Mandela nos momentos mais decisivos da sua vida. Até ao fim.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A profissão mais velha do Mundo.

A profissão mais velha do mundo é a estupidez crónica. Nasceu no mesmo dia em que o macaco se tornou bípede, sendo que o macaco é menos estúpido que o homem. Dizer que a prostituição é a profissão mais velha do mundo é apenas acusar as mulheres de serem putas, vulgares, indignas. Provavelmente a profissão mais velha do mundo terá sido a agricultura, ou a caça. Mas caiu-se na vulgaridade de se atribuir à prostituição este triste epitáfio, condenando as mulheres a carregar este peso, tal como Eva carrega o peso do pecado apesar de ter sido o parvo do Adão que comeu a maça. 
A prostituição é uma profissão em Portugal, apesar de estar na terra de ninguém, porque o proxenetismo é ilegal, e os bordéis proibidos. Mas as prostitutas e prostitutos não têm protecção legal ,nem fazem descontos, porque não enquadramos a profissão em termos legais. Então o que fazer com esta profissão?
A Suécia, a Noruega e o Reino Unido punem os clientes, mas a oferta da internet subiu, subindo também os riscos de transmissão de doenças entre prostitutas e clientes.  A Holanda, a Alemanha, a Suíça e a Grécia regulamentaram a prostituição considerando-a uma actividade económica. A Alemanha já divulgou os lucros da actividade no sexo, num claro pragmatismo.
Mas existem questões não esclarecidas. Por exemplo, as mulheres que se dedicam à prostituição são livres ou pertencem a redes de leste, onde são escravizadas? A Alemanha tem este problema presente e as prostitutas tem facilidade em sair desta profissão, que não é igual às outras, ou o facto de se ter profissão ” prostituta/o” escrito no currículo pode condicionar a vida futura destes homens e destas mulheres?

Bem, não sei responder a estas questões. Mas gostava que fossem debatidas na sociedade portuguesa porque a crise está a levar mais mulheres e homens para as ruas, onde  para muitos é a única forma de sustentarem as  famílias. Mas sobretudo quero que lhe parem de chamar a profissão mais velha do mundo. Porque raramente foi uma profissão e realmente não foi a primeira.

Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.
Nelson Rodrigues

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Casa solidária. Uma loja muito especial.



Bem, eu falo de solidariedade neste blogue, defendo a solidariedade, mas até hoje  nunca tinha dispendido o meu tempo a ser solidária. Porque não me imaginava na rua ou porque não conseguia aceitar que tanta gente vivesse em condições desumanas, a verdade é que nunca me coloquei na posição de ser solidária. Até hoje. Hoje não tive argumentos nem desculpas e ainda bem. Hoje fui voluntária na Casa Solidária, uma loja linda que fica no Colombo, no piso 0, mesmo em frente à arvore de Natal, entre a Vista Alegre e a loja do Coração, perto da Nespresso. Querem ver o que tem lá dentro?


Nada.  Absolutamente nada.Quando abre as portas, de manhã,  não tem nada lá dentro. Esta loja vazia abre vazia e acaba cheia. Confusos? Eu explico. A loja abre com as prateleiras vazias, e durante o dia nós podemos ir até à loja entregar  roupa boa mas que já não usamos, e preencher as prateleiras vazias desta loja. Quando fecha, a roupa é empacotada e enviada para instituições de solidariedade.Amanhã irei a esta Casa Solidária doar roupa de homem que será entregue na Casa do Gaiato e aos Sem Abrigo. Mas esta loja solidária tem mais para oferecer. Se forem como eu não têm jeito, nem paciência, para embrulhar prendas. E detestam oferecer coisas mal embrulhadas ou dentro dos sacos da loja,com a publicidade ali bem visivel, certo? Então aqui está a solução.


Na loja Solidária as voluntárias e voluntários embrulham os presentes em troca do que puderem dar. Ou seja podem comprar as prendinhas em qualquer loja e dirigirem-se à Casa Solidária para as embrulhar. Mas não são uns embrulhos quaisquer, são embrulhos gourmet. Vejam só  caixinhas e os materiais que usam.



É ou não é uma maravilha? Embrulhos lindos e por um preço que podemos pagar, ou seja o que pudermos dar. Seja 1 cêntimo ou 100 euros, o que importa é ajudar.

E se neste tempo de crise, tão dificil para tantas famílias,se não pode dar roupa nem dinheiro e quer ajudar, então dê o seu tempo. Para embrulhar prendas, para varrer a loja, para receber pessoas, se puder e quiser este é o link para contactar a loja Solidária https://www.facebook.com/pages/Inspirar-qualquer-pessoa-em-qualquer-lugar/301702376559352?fref=ts




Amanhã lá estarei  nesta loja  a doar de roupa de homem. Passe por lá também a qualquer dia,a qualquer hora, para ajudar, para entregar roupa, para embrulhar os seus presentes. Porque ser solidário assim não custa nada e ainda maravilha a família com os embrulhos lindos que aqui se fazem. O Natal é só em dezembro, mas o que fazemos agora dura o ano inteiro.E não é bom?

Fazer o bem é o mais suave prazer que se pode experimentar.
Henri Frédéric Amiel

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Casamento gay

A Croácia recusou o casamento gay. E eu não percebo o porquê. Se sabemos que existem pessoas que amam pessoas, porque não aceitar que pessoas que amam pessoas do mesmo sexo tenham direito ao mesmo contrato social que nós? Eu nunca me casaria porque não gosto nem de regras estatais, nem gosto de casamentos em geral: é uma festa longa e geralmente chata. E cara, se é cara. Nem o vestido me tenta, e eu adoro roupita. Mas não ando por aí na rua a proibir as pessoas de casarem porque não gosto ou não me identifico. As pessoas para serem pessoas precisam de rituais e validações. E festas e romarias. E eu não percebo porque se negam direitos a pessoas como nós só porque amam pessoas do mesmo sexo e não de sexo diferente. E muitas vezes me questiono: se a "normalidade" fosse casar entre iguais, mesmo sexo, o que fariam todos os outros "anormais"? Viveriam escondidos, com medo? Procuravam “tratamentos” para o amor? 
Que pena a Croácia não amar livremente. Porque se perdem cidadãos iguais e livres, e constroem-se cidadãos de primeira e cidadãos de segunda. E O amor não devia precisar de votos, porque amor é amor.

Aqueles que se amam e são separados podem viver sua dor, mas isso não é desespero: eles sabem que o amor existe.
Albert Camus

domingo, 1 de dezembro de 2013

Uma Europa perigosa.

O Papa Francisco disse-o, Soares disse-o, eu digo-o: uma Europa perigosa está a surgir a passos largos. Manifestaram-se ontem em Atenas apoiantes da Aurora Dourada, o partido da extrema-direita que elegeu 18 deputados para o Parlamento Grego, a exigir a libertação do seu líder Nikos  Michaloliakos, acusado de assassinar Pavlos Fyssas, cantor anti-fascista, à saída de um bar. Na Eslováquia o partido de extrema-direita  A Nossa Eslováquia, conseguiu ser eleito para governar a região Banská Bystrica, e o  seu discurso anti-cigano venceu o discurso democrático. Na Hungria o partido Amanhecer Húngaro, está prestes a conseguir a legalização, com um discurso anti-semita e anti-cigano. Nesta mesma Hungria que criminaliza os sem-abrigo, prendendo-os depois de três detenções: quem é pobre é preso por ser pobre. Na Áustria, o partido da extrema-direita, anti-imigrante e anti-europeu, subiu nas tendências de voto. Na França, a ministra de origem guianesa é chamada de macaco e crianças atiraram-lhe bananas na rua. Ao mesmo tempo, o partido de Marine Le Pen sobe nas intenções de voto. O massacre na Noruega, na ilha de Utoya, foi apenas há dois anos. Lembram-se do motivo? Matar a nova geração de liberais noruegueses, dos que colocam os direitos humanos como bandeira humana antes da cor da sua bandeira.
É uma Europa a ferro e fogo onde a culpa da crise económica não é dos bancos, nem da desregulação bancária, nem  dos negócios privados que lesam o Estado nem dos maus políticos. A culpa é dos ciganos, dos emigrantes, dos pretos, do outro.
Que se deve fazer? Bem, nisto sou sueca. O líder da extrema-direita foi recebido no Parlamento  Sueco com um bolo na cara (o que se diria em Portugal, meu Deus!). O primeiro-ministro não lhes concede audiências porque com este tipo de gente não há diálogo.
Com o racismo, com a xenofobia não se dialoga.Não se dá voz.Porque Hitler não pode voltar a morar aqui.


Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.

Mandela, Nelson



quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Foste traído? A culpa é tua.

Se há tema que nos apaixona, é o amor. Se há tema que nos arrepia, é a traição. Existem tantos tipos de traição (entre amigos, nos negócios, na vida do dia-a-dia), que quase me atrevo a dizer que para trair e ser traído basta estar vivo. Mas o tipo de traição que eu quero aqui discutir é a traição amorosa. Durante muitos anos li quase todas as revistas femininas, frequentei muitos cabeleireiros e ouvi muitas conversas para chegar à seguinte conclusão: em Portugal, quiçá no Mundo, a culpa da traição é do traído. Just simple as that!
Porquê? Bem, porque como qualquer amiga(o) vos dirá, a traição ocorreu porque a relação já não estava bem, " já não comunicávamos", "não tínhamos tempo um para o outro", entre outras verdades. Se traíste, a culpa é do teu companheiro: não te ouviu, não fizeram planos, não investiram na relação . Se foste traído, a culpa é tua: não ouviste, não fizeram planos, não investiram na relação. E aqui está fórmula mágica para combater a traição: ouvir, falar, investir na relação, programas a dois. Também é possível ser-se traído ou traída porque não demos espaço ao outro, mas isso também só acontece porque a "comunicação" não foi  a correcta. Culpa, culpa, culpa. Explicações, tentativas de entender, de aceitar, de catalogar.  A traição é como o amor: ocorre de diversas maneiras, sem se esperar, sem hora marcada.
Conheço muito boa gente que ama o marido, a mulher, mas que não resiste aquele jogo da sedução que ocorre no trabalho, na noite, no facebook. E todos comunicam bem e amam-se, verdadeiramente. E também conheço quem tenha traído porque simplesmente teve oportunidade para isso: numa noite, numa viagem, com desconhecidos, com conhecidos.  Conheço traidores que traem porque gostam da sensação de risco, conheço pessoas para quem ser traído não é nada de mais, até defendendo que há coisas piores, e até quem aceite que o companheiro precise de aventuras para se sentir feliz. Numa sociedade machista como a nossa, a traição da mulher é vista como um crime, a do homem como uma constatação de virilidade Mas a minha geração já não aceita estas definições e a minha geração é igualitária no trair e ser traído.
Trair não significa não comunicar, trair não significa não ter uma relação estável. E podem-se tirar as conclusões que se quiserem menos uma: a traição só ocorre porque a relação não estava bem. A traição ocorre porque sim e porque não. Mas sobretudo a culpa não é partilhada, mas o perdão pode sê-lo.


Cometem-se muito mais traições por fraqueza do que em consequência de um forte  desejo de trair.

Rochefauld, François.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Ready, set, go!

Foi hoje. Hoje defendi a minha tese sobre Aldeias Abandonadas, Património Imaterial e Desenvolvimento Local; estudos de caso na Área Metropolitana de Lisboa. Longo título, longa tese. E muitos, muitos nervos hoje na apresentação. A voz tremeu, as mãos tremeram, tudo tremeu.Incrível como o ano de 2013 pode trazer tantas coisas boas como más: a doença do meu pai, uma mudança abrupta de vida, o lançamento do livro com os temas deste blogue e agora o ano em que termino a tese. 
Depois da tempestade vem a bonança e depois da bonança vem a tempestade. A vida é tão intempestiva como maravilhosa. E hoje é um dia muito bom..


Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.
Mahatma Gandhi

sábado, 23 de novembro de 2013

Olha o porta-chaves da Inês!!!!!


Porque o vosso mundo tem de ser celebrado, tal como o Mundo da Inês!E o preço? 3 euros. Sim, com nome gravado e tudo, 3 euros! Como encomendar? Bem, se vivem fora de Lisboa terá de ser pelos emails filipemarisa@hotmail.com ou pelo ialdim@gmail.com. O vosso lindo porta-chaves será enviado com os portes de envio incluídos, portanto 3 euros mais qq coisa. Se vivem em Lisboa telefonem para a Isabel, 

919049234 e podem ir buscar o vosso porta-chaves personalizado ao seu bonito atelier no centro de Lisboa.
 Até já!!!

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Estou aqui

Se precisares, estou aqui. Se quiseres ligar só para dizer olá, eu estou aqui. Se quiseres aparecer, basta bater à porta, eu estou aqui. Se precisares que eu pegue no carro e vá ter contigo, não importa onde, eu estou aqui. Se quiseres ir ao cinema, eu estou aqui. Se quiseres ir dançar, eu estou aqui. Neste ano de más notícias, de perdas tão difíceis para tanta gente que eu gosto, só quero dizer aos meus que eu estou aqui. E se às vezes me esqueço, se deixo passar, relembrem-me, zanguem-se.

Porque de repente a vida passou e ficamos sozinhos com as nossas tarefas e não com os nossos amigos. Por isso, antes que me volte a esquecer, eu estou aqui.  


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Suécia- Portugal

Como já se devem ter apercebido, não gosto muito de futebol. Para mim o jogo está sempre parado: o ecrã é verde, uns jogadores correm de um lado para o outro  e pronto. Mas gosto de futebol feminino ( sim, as mulheres jogam mesmo bem), gosto da garra de vencer, gosto da paixão que provoca nos outros, não em mim. Mas entendo a emoção que provoca , essa estranha  obsessão que leva um país a parar de cada vez que joga a selecção. Por isso, para quem é como eu, tomem nota:

- hoje não temos de vencer, basta um empate para irmos ao Brasil, onde será o Mundial. Eu quero que Portugal ganhe para o T me levar ao Brasil onde não tenciono ir a nenhum jogo.
- o melhor deles  chama-se Zlatan Ibrahimovic , é avançado e joga no PSG, França. Não tem nome sueco e por isso gosto dele. Mas o Ronaldo é melhor e, segundo as notícias de todos os canais desportivos, só jogam estes dois. Mas eu sei que existem outros dez que também jogam. Só que os jornalistas não sabem...
-  Para os suecos irem ao Mundial ou ganham 1-0 e vai a prolongamento e  depois vemos quem ganha no prolongamento, se ficar assim ( 1-0) vai a penaltis onde têm de marcar mais golos que nós. Confusos? Eu também. O que é preciso para os suecos ganharem é que nos ganhem por uma diferença de dois. Dois golos, bem entendido.
-  No país horrível que é a Suécia (Sim, já lá fui. Sim, não tenciono voltar) está frio. Mesmo muito frio. E esta gente considerada honesta e amiga,   abriu ainda mais  um bocadinho a cobertura do estádio chamado Friends Arena para ficar mais frio e nós morrermos em campo de hipotermia. É de amigo.

Obviamente que tirei estas informações ao T,porque para mim futebol é como uma doença que afecta toda a gente, menos eu. Mas quero mesmo que Portugal ganhe porque não gosto nada de suecos e quero ir ao Brasil. Claro que há sentimentos mais nobres, mas estes são os meus.Ou como escreveu o grande Carlos Paião " o maior é Portugal".


"Heróica e lusitana gente vamos em frente mas combictamente...
Va lá cambada infantes desportistas, homens de conquistas
Povo que és o meu
Bola redonda e onze jogadores em frente
Sem temores que as tácticas dou eu
Tragam as gaitas, as bandeiras e a pomada
Vamos dar-lhes uma abada, ensinar-lhes o que é bom
Vamos mostrar a esses carafunchosos
Por momentos gloriosos
Quem é a nossa selecção
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL
É atacar agora e defender para fora
Eles são toscos e nem dão para aquecer
Suar a camisola e até jogar sem bola
E disfarçar para o árbitro não ver
No intervalo, solteiros contra casados, fandangos, chulas e fados
Para aprenderem como é
Durante o jogo, qualquer caso lá surgido
Só pode ser resolvido à cabeçada e ao pontapé
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL
Os portugueses já provaram muitas vezes
Saber ser uns bons fregueses das grandes ocasiões
Nesta jornada nem que seja à pantufada
Nós estaremos na bancada muito mais de dez milhões
Força Portugueses!
Viva Portugal, Portugal, Portugal...
Viva Portugal, Portugal, Portugal...
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é efectibamente
Futebol total
Temos de ter coragem, muita força
Pensem nos vossos antepassados có nada
Muito orgulho, muita vivacidade
E vai... e um, dois, e um, dois...
E vai lá... e cruza... e é golo, e é GOLOOOOOOOOOO
Bamos lá cambada, todos à molhada que isto é futebol total
Deixem-se de tretas, força nas canetas que o maior é PORTUGAL."

" Bamos lá cambada"
Carlos Paião

domingo, 17 de novembro de 2013

Saltos Altos

Saltos altos são uma religião para muitas mulheres. Desconfortáveis ou muito desconfortáveis, as mulheres usam saltos altos da mesma forma que se sujeitam a depilação a cera: pela beleza e pela beleza apenas. Eu gosto de saltos altos porque- 1 me fazem mais esguia- 2 me fazem mais alta-3 me fazem mais esguia e mais alta. Demoro o triplo do tempo a percorrer pequenas distâncias do que com ténis calçados, mas já percebi que não me importo. Já quando estou de ténis, só tenho vontade de chegar a casa e calçar os meus saltos. Comprei dois pares de ténis em 2011 e estão como novos. Isto para dizer o quê? Que odeio, detesto, abomino mulheres que não sabem andar de saltos. Aquela perna aberta para cada lado, aquele andar à pato Donaldo dá-me cabo da paciência, que não abunda. E se são noivas, oh meu Deus!! Noiva tem de andar de salto como se andasse de sapatilhas de ballet. Por isso, se sofrem deste mal terrível (“ não sei andar de saltos”) estas são as regras de Marise. Garanto que resultam e, sem darem por isso, são as novas Cinderellas.

1- Comprem o número correcto. Não vão na conversa de que depois os sapatos alargam ou encolhem.
2- Só se a sola do sapato for desconfortável é que se compram palmilhas. Se não, nem se atrevam. Vai diminuir-vos o sapato e encolher-vos os pés
3-Sapato tem parte de trás. Sapatos chinelo são horríveis, incluindo as pumps. 
-O salto tem se ser proporcional à vossa vida. Mais de 3cm e menos de 6 cm é o ideal. Excepto casamentos ou possibilidade de se ver o ex, por acidente está claro . Aí uns 8 cm são ideais.
- Depois da compra, o ataque. Antes do dia da estreia, andem em casa nos novos sapatos. Façam o jantar, o almoço, as limpezas. Habituem o sapato à vossa vida e, sem darem por isso, o sapato está adaptado ao vosso pé, como se tivessem nascido juntos.
- Desfilem com orgulho no vosso sapato. Nada de andar a ajustar, a descalçar, a tirar o sapato. Nem pensar. Doí? Aguenta ou vai a casa e muda de sapato. Nada de sentar para tirar e depois voltar a pôr.

Apontaram tudo? Óptimo. Então força meninas. Vamos atacar esta vida de saltos altos.

Não sei quem inventou o salto alto, mas todas as mulheres devem muito a esta pessoa.
Monroe, Marilyn

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

As pessoas mudam?

É uma pergunta que me atormenta desde sempre: é possível alterar a nossa personalidade, a nossa forma de ser? Todos nós sabemos que não somos perfeitos, mas alterávamos alguma coisa no nosso feitio, na nossa forma de reagir com os outros? E sobretudo, é legítimo esperar que os outros mudem?
Todos nós mudamos, é certo. Mudamos de crianças para adolescentes, de adolescentes para adultos, de adultos para seniores. E aprendemos e mudamos de opinião. E quando algo mais complicado nos acontece, mudamos também de atitudes. Mas há sempre coisas em nós que não mudamos. Sejam coisas boas ou más, há sempre algo que se mantém, que é imutável. No templo de Delfos estava escrito " conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo", que foi interpretado de diversas formas. E caímos no erro de " eu sou assim" e, porque somos assim, os outros têm de nos aceitar assim. Mas eu creio que não é assim que esta inscrição deve ser entendida, mas sim da seguinte forma :conhece-te de tal maneira que saibas , perante um obstáculo, como irás reagir.
Agora, perante a não mudança dos outros, como reagir? Mudar-nos é possível, mas mudar os outros também o é? Francamente, tenho dúvidas. Se há coisas que nós não conseguimos mudar, e os outros também não.
É licito pedir a mudança a outros? Sim. É preciso que todos mudem o que está errado, o que irrita, o que não conseguimos lidar.  E voltamos à pergunta: as pessoas mudam?
Provavelmente, em muitas coisas não. Pedir a mudança é  legítimo, esperá-la é irreal. Porque as pessoas raramente mudam. E isso é decepcionante. Por isso não espere a mudança. Mude você para outro lado. É mais prático, poupa-se tempo e muita desilusão....

Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço.
Kant, Emanuel


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Estamos "vingados".

A felicidade dos outros é irritante, já o escrevi aqui várias vezes. O ser humano não aguenta doses de felicidade alheia  sem ficar com "aquele" sentimento de irritação. Claro que não os demonstramos, escudamo-nos em frases "como estou tão feliz por ti" ou " que lindo ver a vossa felicidade". Mas a verdade não é essa. Um bocadinho de felicidade alheia aguenta-se, muita felicidade alheia torna-nos aquele animal invejoso e, algumas vezes, rancoroso também. Claro que demonstrar publicamente estas emoções perante amigos e família é feio, desmascara-nos e ainda bem que sabemos  representar o papel do "eu estou tão feliz por ti". É o mínimo.
Agora, quando são figuras públicas, aí o nosso ódio, rancor e todos aqueles sentimentos maus que temos ,nos surgem à tona e podem circular livremente. É como se eles, as figuras públicas, existissem para nos sentirmos  vingados quando a vida não nos corre de feição. Eu sou infeliz, mas tu também te divorciaste. Eu sou gorda, mas tu também estás com uma cara péssima. A Casa dos Segredos é exemplo disto mesmo: aqueles que  não gostamos são atacados com a maior das displicências como se os conhecêssemos ou soubéssemos exactamente quem é a pessoa que estamos a atacar. E basta percorrer um bocadinho a blogosfera para percebermos que o ódio não só anda à solta como está descontrolado. A nossa pequena moral solta-se sem freio, e o nosso poder de dizer mal de forma quase anónima é usado sem limites, porque nós somos melhores do que aqueles que estão ali na televisão "a fazer aquelas figuras". E agora eu poderia dizer que devemos ver o melhor dos outros e blá blá blá, pardais ao ninho. Mas, se aquelas figurinhas estão ali à mão e até se voluntariam para fazer aquele papel, como resistir? Como não formar uma opinião se todos os dias os vemos na tv? Mesmo que não  assistamos ao programa (eu a este não assisto, mas já assisti a vários), sabemos quem  são estas personagens  pelas capas das revistas. Só se formos cegos e surdos é que não sabemos, mesmo que levemente, o que se passa nos reality shows. Por isso, se tem o vício de se meter na vida dos outros, canalize a sua vontade de maledicência para estes programas e deixe a vida da sua  vizinha, da sua nora e da sua família em paz. Porque às nove da noite já dá outra vez na tv aquela que anda com o outro que é pai da filha da outra.  E há lá coisa melhor que falar da vida dos outros, ainda mais quando os próprios permitem? Já agora, a Bernardina traiu ou não o namorad0? Sim? -" Que galdéria. Aquela nunca me enganou, eu logo no primeiro dia disse....."

Se existe no mundo coisa mais aborrecida do que ser alguém de quem se fala é certamente ser alguém de quem não se fala.
Oscar Wilde

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Margarida Rebelo Pinto

Eu gosto da Margarida Rebelo Pinto. Cada vez que fala eu sinto-me mais inteligente. Depois de ver a sua Revista de Imprensa, onde o que a senhora queria dizer é que a culpa é do Sócrates, nada mais que isso, recordei-me da minha Revista de Imprensa e fiquei mesmo orgulhosa. Depois, a conversa da Guida é exactamente a mesma dos cafés aqui da minha zona. Cada velho, novo ou de meia-idade sabe dizer:" são todos corruptos, mereciam era viver como eu que pago isto, aquilo e outro, e políticos na prisão já". Portanto entre a Guida e a malta dos cafés da zona, prefiro os últimos que são mais e não falam com aquele sotaque de " eu estou tão enfadada de ter de vos explicar tudo". Para todos nós a culpa da crise é nacional e política apenas. Não tem nada que ver com os mercados da India e China que colocam cá os produtos mais baratos porque não pagam direitos sociais como nós, não tem nada a ver com a falta de regulação do sistema bancário que engana clientes e só negoceia para o cliente perder ainda mais do que tem, nada que ver com os impostos abusivos que as finanças e segurança social querem arrecadar a qualquer custo e colocam coimas sobre coimas, levando milhares de empresas ao desespero e à falência. Não, a culpa é do Sócrates. Ou do Passos. Ou do Cavaco. Só e apenas. Ok, por mim pode ser. É tão mais fácil repetir frases sem pensar nas coisas, se repetirmos muito uma ideia acabamos por acreditar nela. Pensar no mercado internacional, ou seja deixar entrar produtos que destroem a nossa economia sem uma taxação adequada, sem pensarmos que  a escravatura laboral em países como o Bangladesh onde Adidas e a Benetton fazem as suas roupas  nos afecta; continuarmos a lutar pelos nossos direitos mas esquecendo dos mesmos quando o professor é contratado e  “eu que sou do quadro logo não me afecta”, por isso nada de ir para a rua; não sair em defesa de uma coima única nas finanças e não coima sobre coima sobre coima, que leva as empresas ao encerramento e à perda de milhares de postos de trabalho,  não pensar global, também faz de todos  nós umas Margarida Rebelo Pinto . Esqueçam a Margarida e outras como ela. Esqueçam partidarices outras parvoíces. A crise não se desenrola só no nosso quintal. Estamos dispostos a comprar mais barato no chinês, ou estamos dispostos a lutar para que em países como a China se apliquem impostos como cá? Estamos dispostos a regular a banca? Estamos dispostos a regular finanças? Estamos dispostos a não comprar Audis e BMW e apostar numa produção automóvel nacional? Estamos dispostos a ajudar as empresas portuguesas a exportar, colocando funcionários nas embaixadas e consulados só para defenderem as nossas empresas na exportação de bens? Estamos dispostos a tratar todos os professores por igual, avaliando-os a todos, não importa se são ou não contratados? E estamos dispostos a sair à rua ,mesmo que isso incomode a Guida, quando os governos se preparam para atacar as leis fundamentais deste país?  A que estamos dispostos para não dizermos parvoíces como a Margarida Rebelo Pinto?

Ora, aguenta!

Os bancos BES, BCP, CGD e Banif perderam este trimestre 1183 milhões, o que para quem nunca teve um milhão é mais ou menos a mesma coisa. Eu acho estranho que se percam coisas tão grandes, mas distraíram-se e pronto, as coisas também se perdem. Eu cá em casa estou sempre a perder coisas. O que eu acho mais giro é que a culpa da perda este dinheiro é da crise. Espera lá, mas em 2008 a crise não era uma oportunidade? O Senhor Salgado não nos disse que os portugueses gastaram de mais, esses loucos varridos? Então, que se passou agora para estes senhores astutos e ponderados e sábios perderam dinheiro? Já sei, viveram acima das suas possibilidades. Ah, não é a crise. Espera, mas a crise não é uma oportunidade e novos mercados e tal? Esperem que o senhor do Banif está a falar. Afinal a culpa é dos cocos. Eu já sabia, nunca gostei de nada com coco. Ah, mas não é isso afinal. Os cocos são os juros do dinheiro que o Estado emprestou para salvar o Banif. Faz sentido, porque o cidadão português também fica falido e chateado de ter de pagar os juros do dinheiro que o banco empresta. É uma injustiça.
Eu creio, mas isso sou só eu, que se os bancos não tivessem expropriado “à louca” casas, carros e bens de pessoas, nem fechassem fábricas e outras empresas, se tivessem tido uma atitude de negociação verdadeira e honesta e não "de ou paga já ou fica sem nada", talvez as pessoas pudessem ter continuado a pagar o que deviam e mais os cocos.
Olhem meninos, como diz o outro do BPI que se escapou por pouco: agora, aguentem!


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

E porta- chaves com um Mundo Maravilhoso?

Conheço a Isabel Aldim desde sempre. Conhecemo-nos num curso de artes ( sim, super chique) e ficámos amigas nesse curso. A nossa adolescência dava um filme que eu não vou contar. Não vou contar mesmo. Quando o Marisa's Beautiful World começou a tomar forma, lembrei-me que a Isabel e eu podíamos fazer qualquer coisa juntas, confiando nas capacidades artísticas da Isabel, que é uma verdadeira artesã, daquelas com certificado na parede e tudo. A senhora é croma, ou “muito habilidosa” como diz a minha avó. Por isso, vamos lançar este projecto juntas! Yeahhhhhh!! E para começar, apresentamos-vos estes porta chaves .Não, não é para comprarem com o dito “My Beautiful World”, embora também  o possam fazer. Mas como eu acredito que cada um de nós tem o seu próprio mundo, substituam o My pelo vosso nome ou outro a gosto e têm um porta-chaves personalizado: Rita Beautiful World, Mariana Beautiful World e por aí.  Porque o vosso mundo tem de ser celebrado!E o preço? 3 euros. Sim, com nome gravado e tudo, 3 euros! Como encomendar? Bem, se vivem fora de Lisboa terá de ser pelos emails filipemarisa@hotmail.com ou pelo ialdim@gmail.com. O vosso lindo porta-chaves será enviado com os portes de envio incluídos, portanto 3 euros mais qq coisa. Se vivem em Lisboa telefonem para a Isabel, 
919049234 e podem ir buscar o vosso porta-chaves personalizado ao seu bonito atelier no centro de Lisboa.
Espero que este projecto vos agrade tanto como nos está a agradar ,à Isabel e a mim,entrarmos juntas neste Mundo Maravilhoso! Sejam bem- vindos!






segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ambição

Leio,(na Caras, claro!) que a Cristina Ferreira é ambiciosa e procura sempre mais. Esta frase estupenda é dita pela própria, que se assume com ambiciosa, como se a ambição fosse apenas uma qualidade. Não é a única, parece que a ambição,  essa "qualidade" outrora considerada um defeito (e dos maus), se tornou uma virtude retemperadora e fascinante. A ambição, o sermos "profissionais implacáveis", o "atingir objectivos", são termos da gestão de que a vida do dia-a-dia se apropriou para tomar conta da própria vida. E este enorme disparate, esta enorme falta de senso, foi sendo repetida até ao infinito da parvoíce e usada como consideração elogiosa da personalidade e não o defeito que representa.  Francis Bacon, um filósofo é claro, dizia que a  a "ambição é como a bílis, humor que torna os homens ativos ardentes, cheios de alegria e movimentados” mas se não houver limites “começa a ser maligna e venenosa”. Os homens ambiciosos, dizia Bacon, que encontram caminhos abertos para a sua ascensão e continuam a progredir, “são mais negociosos do que perigosos”, mas se forem contrariados nos seus desejos, “tornam-se secretamente descontentes, e projetam mau-olhado sobre os outros homens e sobre as coisas". O problema da ambição é que esta não encontra limites, quando temos o que queremos procuramos sempre mais, numa escala que não tem fim nem tectos morais. Porque devemos ter objectivos e sonhos, obviamente, mas quando a ambição toma conta da nossa vida e nos revelamos sempre ambiciosos, estamos a dizer que somos capazes de fazer algumas coisas ( ou bastantes coisas)  menos éticas,  ou  que simplesmente colocamos os nossos objectivos e sonhos acima dos sonhos e objectivos dos outros. Aprendi no Dexter que os melhores gestores ou CEO  têm características psicopatas, ou seja são ambiciosos e implacáveis. O que significa que não cultivam outras coisas, talvez menos importantes é certo, como o amor, a amizade, e uma boa conversa.  Talvez não possamos ser todos Mourinhos, nem Zeinal Bavas nem Ronaldos.  E talvez existam outras coisas tão importantes como o sucesso profissional que devemos ambicionar como, por exemplo, uma vida repleta de sonhos, de amigos, de coisas boas à nossa volta. Porque quando nos concentramos em nós, e apenas em nós, mais tarde olhamos em volta e só vemos conquistas, glórias e prémios,  mas deixamos de ver pessoas. E aí, de que serviu a glória do mundo quando não temos com quem a partilhar?

"Mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela."

Maquiavel, Nicolau

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Pão por Deuuuuuuuuuuuuuuus

Eu nem dormia na noite anterior! O dia 1 de Novembro era, para as crianças da aldeia onde nasci, o seu feriado preferido. A minha avó cosia todos os anos dois novos sacos para o Pão por Deus, bordados à mão,  porque só um não chegava. Quando o primeiro enchia, corríamos para nossas casas para o despejar e buscar o segundo. O meu pai ficava à porta à minha espera para que eu não perdesse tempo. Na noite anterior a minha mãe comprava as línguas de gato, os figos secos, os rebuçados e os beijinhos, de longe os meus bolos preferidos. Lambia a parte de cima dos beijinhos, aquela massa amarela, ou rosa ou azul de açúcar e deixava para comer depois a bolacha estaladiça ou nunca as comia porque o que eu gostava mesmo era do açúcar, tal como todas as crianças. No dia 1 de Novembro saíamos bem cedo, em grupos ou até sozinhos, porque nesse dia estava tudo na rua e ninguém se importava. Os mais novos iam aos colos das mães e assim apresentavam-se  à aldeia" olha, tão grande que ele está" ou" que rico menino". Nas casas mais pobres, que as havia, recebíamos fruta e nas mesmo muito pobres não íamos, porque toda a gente  da aldeia sabia da vida de toda a gente. E fazíamos fila para as casas que compravam os mini chocolates, tão raros na altura! Uma vez recebi uns smarties e senti-me no céu. Mas o Pão por Deus também era a forma de os meninos e meninas pobres da minha aldeia terem, durante dias e dias, doces e algum dinheiro (porque havia quem desse dinheiro) que  no resto do ano lhes era vedado. Quem nunca viveu o feriado de Todos os Santos (de longe o mais democrático para os Santos), e a magia do Pão por Deus, nunca entenderá que as bruxas e os diabos dos americanos são uma forma de Carnaval pobre fora de tempo. E que a magia do Pão por Deus basta por si para tornar o dia mais feliz de tantos meninos e meninas. E que matou a fome de algumas famílias pobres, que nesta altura do ano tinham em casa a abundância que lhes faltava o resto do ano. Talvez seja pouco, mas em tempos de crises que vivemos, isto tudo parece-me tão tanto....

Ó tia, dá Pão-por-Deus?
Se o não tem Dê-lho Deus!
Provérbio popular